Tártaro em cães e gatos: causas, sinais, riscos e como prevenir

Seu cachorro ou gato está com os dentes amarelados, marrons ou com mau hálito?

Esses sinais podem indicar a presença de placa bacteriana e tártaro e, mais importante, podem estar associados à doença periodontal.

Muitos tutores acreditam que dentes sujos são apenas uma questão estética. Porém, a saúde bucal está diretamente relacionada ao conforto, à alimentação e à qualidade de vida dos animais.

A doença periodontal é uma das alterações mais comuns da cavidade oral de cães e gatos e pode evoluir silenciosamente. Em muitos casos, o animal continua comendo normalmente mesmo apresentando inflamação, dor e perda das estruturas que sustentam os dentes.

Neste artigo do PadrãoOuro Pet, você vai entender o que é tártaro em cães e gatos, por que ele aparece, quais são os principais sinais de doença periodontal, quando o problema pode causar dor e como cuidar da saúde bucal do seu pet.

O que é tártaro em cães e gatos?

Para entender o tártaro, primeiro precisamos falar sobre a placa bacteriana.

Depois da alimentação, uma película composta principalmente por bactérias e outros componentes se forma sobre a superfície dos dentes. Essa película é chamada de placa bacteriana ou biofilme dental.

Quando não é removida adequadamente, a placa pode se mineralizar e se transformar em cálculo dentário, popularmente conhecido como tártaro.

O cálculo é mais duro e aderido ao dente e também favorece a retenção de novas bactérias e placa.

Por isso, o problema não está simplesmente na aparência amarelada ou marrom dos dentes. O principal risco está na inflamação dos tecidos ao redor deles.

Tártaro e doença periodontal são a mesma coisa?

Não.

O tártaro é o cálculo mineralizado que se deposita sobre os dentes.

Já a doença periodontal envolve os tecidos que sustentam os dentes e pode começar com uma inflamação da gengiva, chamada gengivite.

Quando a doença progride, pode ocorrer perda das estruturas de sustentação do dente, incluindo o ligamento periodontal e o osso alveolar.

De forma simplificada:

Placa bacteriana → mineralização → tártaro → gengivite → periodontite → perda de suporte dentário.

A gengivite pode ser controlada quando a causa é tratada adequadamente. Já a perda de suporte causada pela periodontite pode ser irreversível.

A literatura veterinária destaca a doença periodontal como uma das principais doenças orais dos animais de companhia. Uma revisão publicada em 2026 aponta que ela é a condição oral mais prevalente em cães e gatos e reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Por que cães e gatos desenvolvem tártaro?

A formação do tártaro está principalmente relacionada ao acúmulo e à mineralização da placa bacteriana.

Entretanto, existem fatores que podem aumentar o risco de doença periodontal.

Entre eles estão:

  • idade;
  • ausência de higiene bucal;
  • dentes muito próximos ou sobrepostos;
  • alterações na mordida;
  • dentes de leite persistentes;
  • conformação da boca;
  • tamanho e características individuais;
  • algumas raças;
  • histórico de doença periodontal.

Cães de pequeno porte e animais com dentes muito próximos podem apresentar maior dificuldade para manter uma boca saudável.

Estudos epidemiológicos também mostram associação entre idade, porte e determinadas características raciais e o risco de doença periodontal.

🦷 Quais são os sinais de tártaro e doença periodontal?

O mau hálito é frequentemente um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor.

Mas existem vários outros sinais que merecem atenção.

1. Mau hálito persistente

O hálito desagradável pode estar relacionado à presença de bactérias, placa e doença periodontal.

Um certo odor na boca não deve ser simplesmente considerado “normal de cachorro” ou “normal de gato”.

2. Dentes amarelados ou marrons

O acúmulo de cálculo pode deixar os dentes com coloração amarelada, marrom ou mais escura.

3. Gengivas vermelhas

Gengivas avermelhadas ou inchadas podem indicar inflamação.

4. Sangramento

Sangramento durante a alimentação ou quando a boca é manipulada merece avaliação veterinária.

5. Salivação excessiva

Alterações na cavidade oral podem provocar aumento da salivação.

6. Dificuldade para mastigar

O animal pode mastigar de forma diferente, deixar alimento cair da boca ou evitar determinados alimentos.

7. Diminuição do apetite

Em situações mais dolorosas, o animal pode reduzir a ingestão de alimentos.

8. Dentes frouxos

A mobilidade dentária pode indicar perda significativa das estruturas que sustentam o dente.

9. Dentes quebrados

Fraturas dentárias podem ser dolorosas e precisam ser avaliadas.

10. Inchaço na face

Um aumento de volume na região da face pode estar associado a infecções ou alterações dentárias mais profundas.

Meu cachorro ou gato pode estar com dor mesmo continuando a comer?

Sim.

Esse é um dos pontos mais importantes quando falamos de saúde bucal.

Cães e gatos nem sempre demonstram dor de maneira evidente. Um animal pode continuar comendo e apresentando comportamento aparentemente normal mesmo tendo doença periodontal.

A literatura veterinária destaca justamente essa dificuldade: alterações importantes podem permanecer pouco evidentes para o tutor, fazendo com que o diagnóstico aconteça somente quando a doença já está mais avançada.

Por isso, não é recomendado esperar o animal parar de comer para procurar atendimento.

Tártaro pode fazer o cachorro ou gato perder os dentes?

Sim.

Nos estágios mais avançados da doença periodontal, ocorre destruição das estruturas que mantêm o dente preso ao osso.

Com a progressão da periodontite, pode ocorrer perda óssea, mobilidade dentária e, eventualmente, perda do dente.

Em determinadas situações, a extração é indicada para eliminar um dente que não pode mais ser preservado e que está causando dor ou mantendo um processo infeccioso.

A avaliação odontológica completa é importante porque muitas alterações não podem ser identificadas apenas olhando a parte visível dos dentes. Radiografias intraorais podem revelar alterações abaixo da gengiva e na estrutura óssea.

Tártaro pode prejudicar a saúde geral do animal?

Essa é uma questão que precisa ser explicada com cuidado.

A doença periodontal provoca inflamação local e está associada a alterações sistêmicas. Entretanto, não é correto afirmar que o tártaro, por si só, causa diretamente doenças em órgãos como coração, fígado ou rins em todos os animais.

As diretrizes da AAHA destacam que existem associações entre doença periodontal e parâmetros de saúde sistêmica, mas que a relação causal direta entre doença periodontal e determinadas doenças sistêmicas ainda é difícil de demonstrar.

O que já sabemos é que uma boca com doença periodontal pode causar dor, inflamação, infecção local e prejuízo à qualidade de vida.

Portanto, a saúde bucal deve ser encarada como parte da saúde geral do animal.

Como prevenir o tártaro em cães e gatos?

A melhor estratégia é controlar a placa bacteriana antes que ela se transforme em cálculo.

1. Escove os dentes regularmente

A escovação é uma das principais estratégias de controle da placa.

Quando possível, ela deve fazer parte da rotina do animal, preferencialmente de forma diária.

É importante utilizar escova e produto odontológico formulado para animais.

A AAHA ressalta que a escovação remove principalmente placa, e não o cálculo já mineralizado. Por isso, ela é uma medida preventiva e de manutenção, não um substituto para o tratamento profissional quando existe doença instalada.

⚠️ Atenção

Não utilize pasta de dentes humana no seu pet sem orientação veterinária.

Além de não ser necessária, algumas formulações podem conter ingredientes inadequados para cães e gatos.

2. Acostume o animal gradualmente

Não é necessário começar colocando imediatamente uma escova dentro da boca.

O ideal é fazer uma adaptação progressiva.

Você pode começar:

  1. tocando suavemente a região da boca;
  2. acostumando o animal ao sabor do produto veterinário;
  3. massageando delicadamente os dentes;
  4. apresentando a escova;
  5. aumentando gradualmente o tempo de escovação.

A experiência deve ser positiva.

Se o animal apresenta dor ou inflamação importante, a escovação pode causar desconforto e dificultar ainda mais a aceitação do procedimento.

3. Faça avaliações odontológicas periódicas

A boca deve ser examinada durante as consultas veterinárias.

O exame visual pode identificar alterações importantes, mas nem sempre permite avaliar toda a extensão da doença periodontal.

Quando indicado, o atendimento odontológico pode incluir avaliação sob anestesia e radiografias intraorais.

As diretrizes da AAHA recomendam radiografias odontológicas durante a avaliação completa porque alterações importantes podem estar escondidas abaixo da gengiva.

4. Utilize produtos odontológicos apropriados

Existem alimentos, petiscos, escovas, géis e outros produtos desenvolvidos para auxiliar no controle da placa e do cálculo.

Mas é importante lembrar:

Nem todo produto vendido como “dental” possui a mesma eficácia.

O médico-veterinário pode ajudar a escolher produtos adequados ao perfil do animal.

A AAHA recomenda considerar produtos com evidência de benefício e destaca a utilização de produtos reconhecidos pelo Veterinary Oral Health Council (VOHC).

5. Tenha cuidado com objetos muito duros

Nem tudo que o animal gosta de mastigar é seguro para os dentes.

Objetos extremamente rígidos podem provocar fraturas dentárias.

Por isso, brinquedos e produtos destinados à mastigação devem ser escolhidos considerando o tamanho, a idade e as características do animal.

A prevenção da doença periodontal também deve levar em conta a prevenção de fraturas dentárias.

E se meu pet já estiver com muito tártaro?

Se o animal já apresenta uma quantidade significativa de cálculo, mau hálito intenso ou gengivas inflamadas, não tente raspar os dentes em casa.

Objetos metálicos ou instrumentos improvisados podem machucar a gengiva, danificar a superfície dentária ou causar dor.

Além disso, retirar apenas o cálculo visível não significa tratar a doença periodontal.

O tratamento odontológico adequado envolve avaliação da boca e, quando indicado, limpeza profissional, avaliação periodontal, radiografias e tratamento dos dentes comprometidos.

Limpeza dentária sem anestesia funciona?

Tártaro em cães e gatos é um assunto que gera muitas dúvidas.

A chamada limpeza dentária sem anestesia pode remover parte do cálculo que está visível na superfície dos dentes, mas não permite uma avaliação e tratamento adequados das áreas abaixo da gengiva.

Além disso, não permite realizar adequadamente determinados procedimentos diagnósticos, como radiografias intraorais, nem avaliar e tratar toda a superfície dentária e periodontal.

As diretrizes da AAHA consideram a raspagem sem anestesia um procedimento essencialmente cosmético e alertam para riscos como dor, sangramento, medo e infecção.

Por isso, procedimentos odontológicos devem ser realizados por equipe veterinária capacitada e dentro de uma estrutura adequada.

Com que frequência devo cuidar dos dentes do meu pet?

Não existe uma única frequência que sirva para todos os cães e gatos.

A necessidade de acompanhamento depende de fatores como:

  • idade;
  • porte;
  • raça e conformação oral;
  • quantidade de placa;
  • histórico odontológico;
  • presença de doença periodontal;
  • resposta aos cuidados realizados em casa.

O cuidado domiciliar deve ser contínuo, enquanto a necessidade de procedimentos profissionais deve ser definida individualmente pelo médico-veterinário.

As diretrizes veterinárias recomendam que a saúde oral seja discutida desde a primeira consulta e acompanhada ao longo da vida do animal.

🐶 Quando começar a cuidar dos dentes do filhote?

Quanto mais cedo, melhor.

Filhotes devem ter a cavidade oral examinada durante o acompanhamento veterinário.

A fase de troca dos dentes de leite pelos permanentes merece atenção especial.

Dentes de leite persistentes podem favorecer o apinhamento dentário e contribuir para problemas periodontais. Por isso, alterações na dentição devem ser avaliadas pelo veterinário.

Além disso, essa é uma ótima fase para acostumar o animal à manipulação da boca e à escovação.

🐱 E os gatos?

Gatos também podem desenvolver doença periodontal e outros problemas odontológicos.

Um estudo realizado com mais de 18 mil gatos atendidos na prática veterinária primária encontrou doença periodontal em 15,2% dos animais avaliados durante o período de estudo, com aumento do risco associado à idade.

Por isso, não devemos esperar que o gato apresente sinais muito evidentes para começar a cuidar da saúde bucal.

🚨 Quando procurar um veterinário?

Procure atendimento veterinário se seu cão ou gato apresentar:

  • mau hálito persistente;
  • muito tártaro;
  • gengivas vermelhas ou inchadas;
  • sangramento na boca;
  • dificuldade para mastigar;
  • alimento caindo da boca;
  • salivação excessiva;
  • dente quebrado;
  • dente frouxo;
  • perda de dentes;
  • inchaço no rosto;
  • dificuldade para comer;
  • mudança repentina no comportamento durante a alimentação.

Dor na boca não deve ser considerada parte normal do envelhecimento.

Quanto mais cedo uma alteração odontológica for identificada, maiores são as possibilidades de controlar sua evolução e preservar o conforto do animal.

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🐾 Tártaro em cães e gatos não é apenas uma questão estética

Dentes amarelados ou marrons podem chamar a atenção, mas o problema vai muito além da aparência.

A doença periodontal pode causar inflamação, dor, perda das estruturas de sustentação dos dentes e comprometimento da qualidade de vida.

A boa notícia é que grande parte dos problemas periodontais pode ser prevenida ou controlada com acompanhamento veterinário e cuidados adequados em casa.

Por isso, observe a boca do seu pet, estabeleça uma rotina de higiene e não ignore sinais como mau hálito, gengivas inflamadas ou dificuldade para mastigar.

Cuidar dos dentes também é cuidar da saúde e do bem-estar do seu animal.


Perguntas frequentes

Tártaro em cachorro é normal?

Não deve ser considerado normal. O cálculo dentário está associado ao acúmulo de placa e pode acompanhar doença periodontal.

Posso tirar o tártaro do cachorro em casa?

Não é recomendado raspar o tártaro com instrumentos improvisados. O procedimento pode causar lesões e não trata possíveis alterações abaixo da gengiva.

Escovar os dentes elimina o tártaro?

A escovação é principalmente uma forma de controlar a placa bacteriana. Ela não remove adequadamente o cálculo já mineralizado.

Gato também pode ter tártaro?

Sim. Gatos também podem desenvolver doença periodontal e outras alterações odontológicas.

Mau hálito em cachorro é normal?

Mau hálito persistente não deve ser considerado simplesmente normal. Pode ser um dos sinais de doença oral.

Limpeza dentária sem anestesia é segura?

A raspagem sem anestesia não permite uma avaliação completa das estruturas abaixo da gengiva e não substitui o tratamento odontológico veterinário adequado.

🔬 Fontes científicas

American Animal Hospital Association — AAHA.
https://www.aaha.org/

World Small Animal Veterinary Association — WSAVA.
https://wsava.org/global-guidelines/

Merck Veterinary Manual
https://www.merckvetmanual.com/

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