Cachorro come fezes: por que isso acontece e o que fazer?

🐶 Cachorro come fezes: por que isso acontece?

Saiba por que o cachorro come fezes. Ver o cachorro comer as próprias fezes ou as fezes de outro animal costuma causar uma reação imediata no tutor: nojo, preocupação e muitas dúvidas.

“Será que ele está com alguma doença?”

“Está faltando alguma vitamina?”

“Ele está com fome?”

“Como faço para parar?”

O nome veterinário desse comportamento é coprofagia, que significa ingestão de fezes.

Embora seja um comportamento indesejado para a maioria dos tutores, a coprofagia pode ter diferentes causas. Em alguns cães, especialmente filhotes, pode estar relacionada à exploração do ambiente. Em outros casos, pode estar associada a fatores comportamentais, alimentares ou a problemas de saúde que precisam ser investigados.

Por isso, a primeira pergunta não deve ser simplesmente:

“Como faço meu cachorro parar de comer cocô?”

Mas sim:

“Por que ele está fazendo isso?”

💩 O que é coprofagia?

Coprofagia é o termo utilizado para descrever o ato de ingerir fezes.

Ela pode envolver:

Autocoprofagia

Quando o cachorro come as próprias fezes.

Alocoprofagia

Quando o cão ingere fezes de outro animal.

Esse comportamento não é exclusivo dos cães domésticos.

Uma cadela que acabou de dar à luz, por exemplo, pode ingerir as fezes dos filhotes como parte do comportamento maternal de limpeza do ninho. Filhotes também podem explorar e ingerir fezes durante a fase de investigação do ambiente.

🐕 É normal cachorro comer fezes?

Depende da situação.

A coprofagia pode ocorrer como comportamento exploratório, principalmente em filhotes, e muitos casos desaparecem com a maturidade.

Por outro lado, quando o comportamento aparece repentinamente em um cachorro adulto, é persistente ou vem acompanhado de outros sinais, é importante investigar possíveis causas médicas.

Portanto:

um filhote que ocasionalmente investiga fezes não é a mesma situação de um cão adulto que começou repentinamente a comê-las todos os dias.

🧠 Por que o cachorro come fezes?

Não existe uma única explicação.

As causas podem ser divididas, de maneira prática, em:

  • comportamentais;
  • ambientais;
  • alimentares;
  • gastrointestinais;
  • parasitárias;
  • metabólicas;
  • relacionadas ao aumento do apetite;
  • aprendizagem e reforço do comportamento.

E mais de um fator pode estar presente ao mesmo tempo.

🐾 1. Curiosidade e exploração

Filhotes exploram o mundo principalmente utilizando boca e nariz.

Por isso, podem investigar:

  • terra;
  • folhas;
  • objetos;
  • lixo;
  • alimentos;
  • fezes.

O cheiro das fezes pode despertar interesse, especialmente quando o filhote ainda está descobrindo o ambiente.

Em muitos casos, esse comportamento diminui conforme o animal amadurece e recebe orientação adequada.

🐶 2. Comportamento aprendido

Se o cachorro descobre que comer fezes provoca uma grande reação do tutor, o comportamento pode acabar sendo reforçado indiretamente.

Imagine:

O cão se aproxima das fezes.

O tutor grita:

“NÃO! PARA! LARGA!”

O cachorro recebe imediatamente atenção.

Para alguns animais, até uma reação negativa pode funcionar como atenção.

Por isso, transformar o episódio em uma grande perseguição pode não ajudar.

😨 3. Ansiedade, estresse ou falta de estímulo

Alterações ambientais, confinamento excessivo, falta de atividade e determinadas situações de ansiedade podem contribuir para comportamentos alimentares inadequados.

O Manual MSD de Veterinária inclui a coprofagia entre os comportamentos alimentares anormais que podem estar relacionados tanto à exploração quanto a determinados problemas comportamentais.

Mas é importante não colocar toda coprofagia automaticamente na conta da ansiedade.

A causa precisa ser avaliada individualmente.

🍽️ 4. Fome ou restrição alimentar

Cães submetidos a restrição calórica excessiva podem apresentar aumento de apetite.

Isso também pode acontecer em determinadas doenças.

O resultado pode ser um comportamento de busca por alimentos, incluindo a ingestão de fezes.

Por isso, vale revisar:

  • quantidade de alimento;
  • frequência das refeições;
  • qualidade e adequação da dieta;
  • condição corporal;
  • nível de atividade.

🩺 5. Problemas de digestão ou absorção

Essa é uma das razões pelas quais não devemos tratar toda coprofagia simplesmente como “mania”.

Doenças que interferem na digestão ou absorção de nutrientes podem aumentar a fome e modificar as características das fezes.

Entre as possibilidades estão alterações gastrointestinais e insuficiência pancreática exócrina, entre outras condições.

Em animais com má absorção, por exemplo, podem ocorrer perda de peso, alterações do apetite e, em alguns casos, coprofagia.

🦠 6. Parasitas intestinais

Parasitas também devem ser considerados na investigação.

Além de poderem causar alterações gastrointestinais e prejudicar o aproveitamento dos nutrientes, as fezes podem ser uma fonte de exposição a agentes infecciosos e parasitas.

Por isso, quando um cachorro apresenta coprofagia persistente, a avaliação das fezes pode fazer parte da investigação veterinária.

🩸 7. Doenças que aumentam o apetite

Algumas doenças podem causar polifagia, ou seja, aumento anormal da fome.

Entre as condições que podem estar associadas ao aumento do apetite estão algumas doenças endócrinas, como diabetes e hiperadrenocorticismo.

Alguns medicamentos também podem aumentar o apetite, incluindo determinados corticosteroides.

Por isso, se o cachorro:

  • começou a comer muito mais;
  • está perdendo peso;
  • bebe muita água;
  • urina mais;
  • está inquieto;

e também passou a comer fezes, merece uma avaliação veterinária.

🐱 Por que cachorro gosta tanto de fezes de gato?

Essa situação é extremamente comum.

Muitos cães demonstram grande interesse pela caixa de areia dos gatos.

Isso acontece porque a alimentação dos gatos e as características de suas fezes podem torná-las particularmente atrativas para alguns cães.

Do ponto de vista do cachorro, a caixa de areia pode parecer muito mais interessante do que parece para nós.

O problema?

Além da coprofagia, existe a possibilidade de exposição a parasitas e outros agentes presentes nas fezes.

Por isso, o ideal é impedir o acesso do cachorro à caixa de areia.

🐕 E quando o cachorro come fezes de outros animais?

Também pode acontecer.

Cães são animais com forte comportamento exploratório e de busca por alimento.

Fezes de:

  • gatos;
  • outros cães;
  • animais herbívoros;

podem despertar interesse.

A ingestão de fezes de animais desconhecidos, entretanto, aumenta a preocupação com a exposição a agentes infecciosos, parasitas ou substâncias que o animal possa ter ingerido.

O CRMV-RJ destaca que as fezes podem funcionar como fonte de exposição a bactérias, fungos, vírus e parasitas quando o animal que as eliminou está infectado.

💩 Por que alguns cães preferem fezes frescas?

Pesquisas sobre coprofagia canina observaram que os cães participantes frequentemente demonstravam preferência por fezes relativamente recentes.

Isso reforça uma das estratégias mais importantes para controlar o comportamento:

retirar as fezes rapidamente.

Quanto menos tempo o cachorro tiver acesso, menor a oportunidade de repetir o comportamento.

🚨 Quando a coprofagia pode ser sinal de doença?

Fique especialmente atento quando:

🔴 O cachorro adulto começou a comer fezes de repente

Uma mudança nova merece investigação.

🔴 Existe perda de peso

Principalmente quando o cachorro continua comendo normalmente ou parece estar sempre com fome.

🔴 Há diarreia persistente

Pode indicar alteração gastrointestinal ou de absorção.

🔴 As fezes parecem mal digeridas

A presença frequente de alimento não digerido merece avaliação.

🔴 O apetite aumentou muito

Especialmente acompanhado de outros sinais.

🔴 O cachorro está bebendo muita água

A associação com aumento da fome pode ser relevante.

🔴 Há vômitos frequentes

🔴 Existe alteração importante na pelagem ou condição corporal

🔴 O comportamento é persistente

Nesses casos, não tente resolver apenas com treinamento.

Procure o médico-veterinário.

🩺 O que o veterinário pode investigar?

A avaliação dependerá da idade, histórico e sinais apresentados.

Pode incluir:

História clínica

O veterinário pode perguntar:

  • quando começou;
  • com que frequência acontece;
  • se come as próprias fezes ou de outros animais;
  • qual alimentação recebe;
  • quanto come;
  • se perdeu peso;
  • se apresenta vômitos;
  • se apresenta diarreia;
  • quais medicamentos utiliza;
  • como é sua rotina.

Exame físico

Permite avaliar condição corporal e procurar sinais que indiquem outras alterações.

Exame de fezes

Pode ser indicado para investigar parasitas intestinais.

Exames laboratoriais

Em determinadas situações, exames de sangue, urina ou testes específicos podem ser necessários.

O objetivo é descobrir se existe uma causa médica contribuindo para o comportamento.

🧪 Precisa fazer exame de fezes?

Não existe uma regra única para todos os cães.

Porém, em um cachorro com coprofagia persistente, especialmente quando existem outros sinais gastrointestinais ou suspeita de parasitas, a análise das fezes pode ser importante.

A VCA considera o exame fecal para parasitas uma avaliação mínima na investigação de determinados casos de coprofagia.

O veterinário decidirá quais exames são realmente necessários.

🛑 Como fazer o cachorro parar de comer fezes?

A estratégia mais importante é:

IMPEDIR O ACESSO ÀS FEZES.

Parece simples, mas é provavelmente uma das medidas mais eficazes.

A literatura veterinária destaca a prevenção do acesso, a supervisão e o redirecionamento como componentes importantes do manejo da coprofagia.

🧹 1. Recolha as fezes imediatamente

Depois que o cachorro defecar:

chame-o para perto de você;

recompense o comportamento desejado;

retire as fezes;

só depois permita que ele continue explorando o local.

Isso reduz drasticamente a oportunidade de repetir o comportamento.

🦴 2. Ensine o cachorro a voltar para você depois de defecar

Essa pode ser uma estratégia muito útil.

Você pode ensinar uma sequência:

defecou → chama → cachorro vem → recompensa → fezes são recolhidas.

Com repetição, o cão pode começar a entender que depois de fazer cocô, deve voltar para o tutor.

A VCA descreve justamente essa estratégia de chamar o cão e recompensá-lo após a eliminação.

🎓 3. Ensine comandos como “vem” e “deixa”

Esses comandos são úteis não apenas para a coprofagia.

Um cachorro que aprende a:

vir quando chamado

e

interromper o interesse por determinado objeto

tem maior capacidade de responder ao tutor durante situações potencialmente problemáticas.

O treinamento deve ser feito em situações controladas e com reforço positivo.

🧠 4. Recompense o comportamento correto

Imagine:

O cachorro faz cocô.

Ele olha para as fezes.

Você chama:

“Vem!”

Ele vem.

Você recompensa.

Essa sequência ensina:

“Ignorar as fezes e voltar para meu tutor vale a pena.”

Isso é muito mais produtivo do que simplesmente correr atrás do cachorro.

🚫 5. Não esfregue o focinho do cachorro nas fezes

Essa prática é antiga e deve ser evitada.

Além de não ensinar adequadamente o comportamento desejado, pode aumentar medo, ansiedade e conflito com o tutor.

A VCA também alerta que técnicas punitivas desse tipo podem inclusive contribuir para manter ou agravar o problema.

O cachorro precisa aprender o que fazer.

Não apenas descobrir o que o tutor não quer.

🧹 6. Mantenha o ambiente limpo

Se o cachorro tem acesso a:

  • quintal;
  • jardim;
  • canil;
  • área de serviço;

faça a remoção das fezes regularmente.

A prevenção ambiental é especialmente importante quando o cachorro tem o hábito de procurar fezes.

🐱 7. Bloqueie o acesso à caixa de areia

Se o problema é comer fezes de gato, esta pode ser uma das mudanças mais importantes.

Você pode avaliar soluções como:

  • colocar a caixa em ambiente inacessível ao cão;
  • utilizar uma barreira;
  • instalar a caixa em local elevado, quando seguro e adequado para o gato;
  • utilizar uma área exclusiva para o felino.

A prioridade é:

o gato precisa acessar a caixa facilmente, mas o cachorro não.

🧠 8. Aumente o enriquecimento ambiental

Um cachorro que passa boa parte do dia sem atividades pode procurar oportunidades de exploração.

Inclua na rotina, conforme a condição física do animal:

  • passeios;
  • brincadeiras;
  • treinamento;
  • atividades olfativas;
  • brinquedos interativos;
  • busca de alimentos;
  • interação com o tutor.

O enriquecimento não é uma “cura” universal para a coprofagia, mas pode ser uma parte importante do manejo comportamental.

🍽️ 9. Revise a alimentação

Se existe suspeita de que o cachorro esteja com fome ou apresentando problema nutricional, a dieta deve ser avaliada.

Não é recomendável simplesmente acrescentar:

  • vitaminas;
  • minerais;
  • enzimas;
  • suplementos;
  • alimentos caseiros;

sem orientação.

Uma dieta completa e equilibrada, adequada à idade e às necessidades do cão, é o ponto de partida.

💊 Suplementos para coprofagia funcionam?

Existem diversos produtos comercializados com a promessa de tornar as fezes menos atrativas.

Mas aqui é importante ter cuidado.

Não existe uma solução milagrosa comprovadamente eficaz para todos os cães.

Uma pesquisa que avaliou produtos comerciais e estratégias comportamentais encontrou baixa taxa de sucesso relatada para as abordagens testadas.

O Manual MSD também destaca a importância de impedir o acesso às fezes e trabalhar estratégias comportamentais.

Portanto:

não coloque um “produto para parar de comer cocô” como primeira e única solução.

Primeiro investigue a causa e controle o acesso.

🍍 E colocar abacaxi na comida?

Essa é uma das sugestões populares na internet.

Porém, não há evidência sólida de que simplesmente adicionar abacaxi à alimentação resolva a coprofagia de maneira confiável.

O mesmo vale para várias receitas caseiras divulgadas na internet.

Cuidado com soluções milagrosas.

Se o problema é comportamental, a estratégia precisa atuar sobre o comportamento.

Se existe uma doença, é necessário tratar a causa.

🥛 E colocar iogurte na comida?

Também é uma recomendação encontrada com frequência.

Entretanto, não há evidência consistente de que iogurte seja uma solução confiável para eliminar a coprofagia. A VCA cita esse tipo de aditivo entre as estratégias publicadas, mas destaca a falta de comprovação de eficácia.

🍖 O cachorro pode estar com deficiência de vitaminas?

Pode existir uma condição nutricional ou de absorção contribuindo, mas não devemos assumir que toda coprofagia seja causada por deficiência de vitaminas.

Essa é uma das ideias mais repetidas na internet.

Na realidade, existem diversas possibilidades.

Se houver suspeita nutricional, o correto é avaliar:

dieta + quantidade + condição corporal + digestão + absorção + saúde geral.

E não simplesmente oferecer um suplemento.

🐕 Coprofagia em filhotes é mais comum?

Pode ocorrer com mais frequência em filhotes.

Nessa fase, o cachorro está explorando o ambiente e pode investigar fezes por curiosidade.

Além disso, o comportamento materno pode influenciar a exposição dos filhotes às fezes.

Em muitos casos, a tendência diminui conforme o animal amadurece e recebe supervisão e orientação adequadas.

🐶 E se for um cachorro adulto?

Nesse caso, vale observar com mais atenção.

Se um cachorro adulto sempre teve esse comportamento e está saudável, pode existir um componente comportamental.

Mas se ele começou recentemente, principalmente acompanhado de:

  • fome excessiva;
  • emagrecimento;
  • diarreia;
  • vômitos;
  • alteração nas fezes;
  • aumento da sede;
  • alterações no comportamento;

é recomendável procurar o veterinário.

🧼 Cachorro que come fezes pode ficar doente?

Pode existir risco, dependendo da origem das fezes.

Fezes podem conter:

  • parasitas;
  • bactérias;
  • vírus;
  • outros agentes infecciosos.

O risco depende do animal que produziu as fezes, do agente presente e das condições ambientais.

Por isso, comer fezes de um animal desconhecido é especialmente indesejável.

O CRMV-RJ alerta para a possibilidade de transmissão de agentes infecciosos e parasitas através das fezes.

🚨 Quando procurar atendimento veterinário rapidamente?

Procure atendimento se, depois de ingerir fezes, o cachorro apresentar sinais como:

  • vômitos repetidos;
  • diarreia intensa;
  • sangue nas fezes;
  • fraqueza importante;
  • dor;
  • alterações neurológicas;
  • dificuldade respiratória;
  • suspeita de ingestão de substância tóxica junto com as fezes.

Também procure avaliação quando a coprofagia for nova, persistente ou acompanhada de outros sinais clínicos.

📋 Checklist para o tutor

Se seu cachorro come fezes, observe:

☐ É filhote ou adulto?

☐ Come as próprias fezes ou de outros animais?

☐ Quando o comportamento começou?

☐ Acontece todos os dias?

☐ O apetite aumentou?

☐ Houve perda de peso?

☐ Existem vômitos?

☐ Existe diarreia?

☐ As fezes parecem mal digeridas?

☐ O cachorro usa medicamentos?

☐ A dieta foi modificada recentemente?

☐ O cachorro tem acesso à caixa de areia do gato?

☐ Ele passa muito tempo sozinho ou sem atividade?

☐ Já realizou exame de fezes recentemente?

Essas informações podem ser muito úteis durante a consulta veterinária.

🐾 Plano prático para começar hoje

1️⃣ Recolha as fezes imediatamente.

2️⃣ Não deixe o cachorro sozinho no quintal logo após evacuar.

3️⃣ Chame-o para perto de você.

4️⃣ Recompense quando ele vier.

5️⃣ Limpe o local.

6️⃣ Restrinja o acesso à caixa de areia dos gatos.

7️⃣ Trabalhe comandos como “vem” e “deixa”.

8️⃣ Aumente atividades e enriquecimento.

9️⃣ Revise a alimentação com o veterinário se houver suspeita de inadequação.

🔟 Se o comportamento for persistente ou tiver começado recentemente, procure avaliação veterinária.


❓ Perguntas frequentes

Por que meu cachorro come o próprio cocô?

Pode haver causas comportamentais, exploratórias, ambientais, alimentares ou médicas. Em cães adultos com início recente, é especialmente importante investigar problemas de saúde.

Cachorro comer fezes significa que está com falta de vitaminas?

Não necessariamente. Deficiências nutricionais ou problemas de absorção podem contribuir, mas não explicam todos os casos.

Filhote comer cocô é normal?

Pode ocorrer como comportamento exploratório, principalmente durante a fase de investigação do ambiente. Entretanto, a persistência do comportamento merece orientação.

Como fazer o cachorro parar de comer fezes?

A principal estratégia é impedir o acesso, supervisionar a eliminação, recolher as fezes rapidamente e ensinar o cachorro a voltar para o tutor após defecar.

Abacaxi faz o cachorro parar de comer cocô?

Não há evidência consistente de que o abacaxi seja uma solução confiável para a coprofagia.

Posso dar vitaminas?

Não sem saber se existe realmente uma deficiência. O uso desnecessário de suplementos pode não resolver o problema.

Comer fezes de gato faz mal ao cachorro?

Pode aumentar a exposição a parasitas e outros agentes presentes nas fezes. O ideal é impedir o acesso do cachorro à caixa de areia.

Meu cachorro adulto começou a comer fezes. Devo me preocupar?

É recomendável investigar, principalmente se o comportamento for novo ou acompanhado de aumento do apetite, perda de peso ou alterações gastrointestinais.

O cachorro pode pegar vermes comendo fezes?

Existe possibilidade de exposição a parasitas, dependendo da origem das fezes e do agente presente. A avaliação veterinária e o controle parasitário adequado são importantes.

Devo brigar quando ele comer cocô?

Evite punições e perseguições. Trabalhe prevenção, redirecionamento e recompensa do comportamento desejado.

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🚨 Aviso importante

Este artigo possui finalidade educativa e informativa e não substitui consulta, exame físico, diagnóstico ou tratamento realizado por um médico-veterinário.

A coprofagia pode ter causas comportamentais, ambientais, alimentares ou médicas. Portanto, não é recomendado assumir que o problema seja simplesmente uma “mania” ou deficiência de vitaminas.

Não ofereça vitaminas, suplementos, medicamentos ou produtos destinados a modificar o sabor das fezes sem orientação profissional.

Se o comportamento surgiu recentemente em um cão adulto, é persistente ou está associado a perda de peso, aumento exagerado do apetite, vômitos, diarreia, alterações nas fezes, aumento da sede ou outros sinais clínicos, procure avaliação veterinária.

Evite punições físicas, gritos ou técnicas que provoquem medo. O manejo deve priorizar segurança, prevenção do acesso às fezes, supervisão e reforço dos comportamentos desejados.

🩺 Revisão técnica

A coprofagia é um comportamento de ingestão de fezes que pode ocorrer por diferentes razões. Embora muitos casos apresentem componente comportamental ou exploratório, doenças que alteram a digestão, absorção de nutrientes ou apetite podem contribuir para o problema. Por isso, causas médicas devem ser consideradas especialmente quando o comportamento surge em um cão adulto ou acompanha outros sinais clínicos.

Na abordagem comportamental, impedir o acesso às fezes, supervisionar o animal, recolher rapidamente o material e reforçar comportamentos alternativos são estratégias importantes. A literatura veterinária também aponta que produtos destinados a alterar o sabor das fezes não apresentam eficácia consistente.

A avaliação individual pelo médico-veterinário é especialmente importante quando há suspeita de doença gastrointestinal, parasitária, metabólica, alteração nutricional ou aumento anormal do apetite.

📚 Fontes científicas e veterinárias

1. VCA Animal Hospitals — Dog Behavior Problems: Coprophagia

Material veterinário elaborado por profissionais especializados em comportamento animal, abordando causas médicas e comportamentais da coprofagia, investigação, prevenção do acesso às fezes, supervisão e treinamento.

VCA Animal Hospitals — Dog Behavior Problems: Coprophagia

2. Manual MSD de Veterinária — Problemas de comportamento de cães

Referência veterinária sobre alterações comportamentais relacionadas à ingestão, incluindo coprofagia, exploração, pica, polifagia e possíveis causas médicas ou comportamentais.

Manual MSD de Veterinária — Problemas de comportamento de cães

3. Merck Veterinary Manual — Malabsorption Syndromes in Small Animals

Referência sobre síndromes de má absorção em pequenos animais. A má absorção pode estar associada a perda de peso, alterações do apetite e, em alguns animais, coprofagia.

Merck Veterinary Manual — Malabsorption Syndromes in Small Animals

4. PubMed — The paradox of canine conspecific coprophagy

Estudo publicado no periódico Animals que investigou características da coprofagia em cães e avaliou diferentes produtos e estratégias de modificação comportamental.

PubMed — The paradox of canine conspecific coprophagy

5. PMC — The paradox of canine conspecific coprophagy

Artigo científico completo discutindo a coprofagia entre cães e características associadas ao comportamento.

PMC — The paradox of canine conspecific coprophagy

6. ScienceDirect — Coprophagia

Capítulo de referência veterinária sobre problemas comportamentais em cães e gatos, abordando causas gastrointestinais, metabólicas, medicamentosas, alimentares e estratégias comportamentais de manejo.

ScienceDirect — Coprophagia

7. Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro — Coprofagia canina

Material educativo do CRMV-RJ sobre coprofagia, suas possíveis causas e a importância da avaliação veterinária, além de orientações sobre manejo e prevenção.

CRMV-RJ — Coprofagia canina

8. Oregon Veterinary Medical Association — Dog Behavior: Coprophagia

Material atualizado em 2026 sobre coprofagia, com orientações relacionadas à investigação veterinária, prevenção do acesso às fezes, supervisão e manejo da caixa de areia quando há gatos na residência.

Oregon Veterinary Medical Association — Dog Behavior: Coprophagia

📝 Conclusão

Ver um cachorro comendo fezes é desagradável, mas o comportamento merece ser analisado com mais cuidado do que simplesmente chamar o animal de “porco” ou tentar puni-lo.

A coprofagia pode ter diferentes causas.

Em alguns cães, especialmente filhotes, pode estar relacionada à exploração do ambiente. Em outros, pode estar associada a fatores comportamentais, alimentares, gastrointestinais, parasitários ou a doenças que aumentam o apetite.

A primeira medida prática é simples:

💩 impeça o acesso às fezes.

Supervisione o cachorro, recolha o material rapidamente e ensine-o a voltar para você depois de defecar.

Ao mesmo tempo, procure entender por que o comportamento está acontecendo.

E se a coprofagia for nova, persistente ou vier acompanhada de outros sinais clínicos, não tente resolver apenas com produtos ou receitas caseiras.

Um cachorro que come fezes não está necessariamente doente — mas também não devemos presumir que seja apenas um hábito.

No PadrãoOuro Pet, a orientação para o tutor deve ser sempre essa:

Observe o comportamento, elimine as oportunidades, reforce o que o cachorro faz certo e procure o veterinário quando houver sinais de que algo além do comportamento pode estar acontecendo.

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